Os filhos de Deus são chamados a
ser representantes de Cristo, manifestando a bondade e a misericórdia do
Senhor. Como Cristo nos revelou a nós o verdadeiro caráter do Pai, assim temos
de manifestar Cristo ao mundo, o qual Lhe desconhece o terno e compassivo amor.
"Assim como Tu Me enviaste ao mundo", disse Jesus, "também Eu os
enviei ao mundo... para que o mundo creia que Tu Me enviaste." João 17:18
e 21. "Eu neles, e Tu em Mim... para que o mundo conheça que Tu Me
enviaste a Mim." João 17:23. O apóstolo Paulo diz aos discípulos de Jesus:
"É manifesto que vós sois a carta de Cristo... conhecida e lida por todos
os homens." II Cor. 3:3 e 2. Em cada um de Seus filhos Jesus envia uma
carta ao mundo. Se sois seguidores de Cristo, Ele manda por vosso intermédio
uma carta à família, à cidade, à rua em que residis. Habitando em vós, Jesus
deseja falar ao coração dos que não se acham relacionados com Ele. Talvez não
leiam a Bíblia, ou não escutem a voz que lhes fala de suas páginas; não vêem o
amor de Deus manifestado em Suas obras. Se sois, porém, um fiel representante
de Jesus, talvez por meio de vós sejam induzidos a compreender algo de Sua
bondade, sendo atraídos a amá-Lo e servi-Lo.
Os cristãos são postos como
luminares no caminho para o Céu. Cumpre-lhes refletir sobre o mundo a luz que
de Cristo sobre eles incide. Sua vida e caráter devem ser de molde a que outros
possam obter por seu intermédio uma justa concepção de Cristo e Seu serviço.
Se representamos a Cristo,
faremos com que Seu serviço apareça atrativo, como na realidade o é. Cristãos
que acumulam sombras e tristezas em sua alma, que murmuram e se queixam, estão
dando aos outros uma falsa idéia de Deus e da vida cristã. Dão a impressão de
que Deus não Se compraz em que Seus filhos sejam felizes, dando assim um falso
testemunho de nosso Pai celestial.
Satanás exulta quando pode levar
os filhos de Deus à incredulidade e ao desalento. Deleita-se em ver-nos
desconfiando de Deus, duvidando de Sua boa vontade e poder de salvar-nos.
Apraz-lhe fazer-nos pensar que as providências do Senhor visam a
prejudicar-nos. É a obra de Satanás representar o Senhor como falto de compaixão
e piedade. Deturpa a verdade a Seu respeito. Enche a imaginação de idéias
errôneas relativamente a Deus e, em vez de fixarmos a mente na verdade quanto a
nosso Pai celeste, muitas vezes a demoramos nas falsidades de Satanás, e
desonramos a Deus desconfiando dEle, e contra Ele murmurando. Satanás busca
sempre tornar a vida religiosa sombria. Deseja que se nos afigure trabalhosa e
difícil; e, quando o crente, em sua vida, faz aparecer sua religião sob esse
aspecto, está, por sua incredulidade, confirmando a mentira de Satanás.
Muitos através da estrada da
vida, pensam demasiado em seus erros e faltas e decepções, ficando com o
coração cheio de amargura e desalento. Durante minha estada na Europa, certa
irmã que assim fazia, achando-se profundamente acabrunhada, escreveu-me pedindo
uma palavra de animação. Na noite seguinte à leitura de sua carta sonhei que me
achava num jardim, e alguém que parecia o dono do mesmo me ia conduzindo por
ele. Eu apanhava as flores e fruía-lhes o aroma, quando essa irmã, que ia a meu
lado, me chamou a atenção para alguns feios cardos que lhe embaraçavam o
caminho. Ali estava ela, lamentando-se e afligindo-se. Não andava pelo caminho,
em seguimento do guia, mas ia por entre os espinhos e cardos. "Oh!"
lamentava ela, "que pena que este belo jardim esteja assim tão feio por
causa dos espinhos?" Então, o guia disse: "Não te importes com os
espinhos, pois só te podem magoar. Colhe as rosas, os lírios e os cravos."
Acaso não tendes tido quadros
luminosos em vossa vida? Não haveis experimentado preciosos momentos, em que
vosso coração pulsou de alegria à influência do Espírito de Deus? Volvendo o
olhar aos capítulos de vossa passada existência, não encontrais algumas páginas
aprazíveis? Acaso as promessas de Deus, quais flores fragrantes, não crescem a
cada passo na vereda que trilhais? E não permitireis que sua beleza e suavidade
vos encham de alegria o coração?
Os cardos e espinhos não servirão
senão para vos ferir e magoar; e se os não colheis senão a eles,
apresentando-os aos demais, não estais vós, sobre desdenhar a bondade de Deus,
impedindo que os que vos rodeiam palmilhem a estrada da vida?
Não é sábio ajuntar todas as
penosas recordações da vida passada - injustiças e decepções - e falar tanto
sobre elas e lamentá-las tanto, que nos sintamos esmagados pelo desânimo. Uma
alma desalentada acha-se rodeada de trevas, excluindo a luz de Deus de si
própria, e lançando sombras sobre o caminho dos outros.
Graças a Deus pelos quadros
luminosos que nos tem apresentado! Enfeixemos todas as benditas promessas de
Seu amor, a fim de sobre elas poder deter continuamente o olhar. O Filho de
Deus, deixando o trono do Pai, revestindo Sua divindade com a natureza humana a
fim de vir resgatar o homem do poder de Satanás; o triunfo que obteve em nosso
favor, abrindo ao homem a porta do Céu, revelando aos olhos humanos a câmara
onde a Divindade manifesta Sua glória; a raça caída erguida do abismo da ruína
em que o pecado a submergira, e novamente posta em ligação com o infinito Deus,
e depois de resistir à divina prova mediante a fé em seu Redentor, revestida da
justiça de Cristo, e exaltada a Seu trono - eis os quadros que o Senhor deseja
que contemplemos.
Quando nos inclinamos a duvidar
do amor de Deus, a desconfiar de Suas promessas, nós O desonramos e ofendemos a
Seu Santo Espírito. Quais seriam os sentimentos de uma mãe cujos filhos
estivessem sempre a se queixar dela, como se ela os não quisesse ver felizes,
quando o esforço de toda sua existência era o seu bem estar, e proporcionar-lhes
conforto? Suponhamos que duvidassem de seu amor; isso lhe havia por certo de
partir o coração. Como se sentiria qualquer pai se os filhos procedessem de tal
maneira para com ele? E como nos há de considerar nosso Pai celeste quando
duvidamos do amor que nos tem - esse amor que O levou a dar Seu Filho
unigênito, a fim de que pudéssemos viver? Escreve o apóstolo: "Aquele que
nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes, O entregou por todos nós, como nos
não dará também com Ele todas as coisas?" Rom. 8:32. Todavia, quantos, por
ações se não por palavras, estão dizendo: "O Senhor não diz isto quanto a
mim. Talvez ame a outros, mas a mim, não."
Tudo isso prejudica a vossa
própria alma; pois toda palavra de dúvida por vós proferida, é um convite às
tentações de Satanás; isso robustecerá em vós a tendência para duvidar,
afastando os anjos ministradores. Quando sois tentados por Satanás, não deixeis
escapar nem uma palavra de dúvida, nenhuma palavra sombria. Se preferirdes
abrir a porta às suas sugestões, a mente se vos encherá de desconfiança e
questões rebeldes. Se externardes vossos sentimentos, toda dúvida que
manifestardes não somente terá sua reação sobre vós mesmos, mas será uma
semente que germinará e dará fruto na vida dos outros; e talvez se torne
impossível destruir a influência de vossas palavras. Possivelmente vos
recobrareis dos assaltos do tentador e de seus ardis, mas outros, que hajam
sido dominados por vossa influência, talvez não se possam libertar das dúvidas
que lhe sugeristes. Como é importante que só saia de nossos lábios aquilo que
promova vida e força espirituais!
Os anjos estão atentos para ouvir
a espécie do testemunho que estais dando ao mundo quanto a vosso divino Mestre.
Que a vossa conversação tenha por objeto Aquele que vive para interceder por
vós perante o Pai. Ao pegardes na mão de um amigo, esteja em vossos lábios e
coração um louvor a Deus. Isso há de atrair seus pensamentos para Jesus.
Todos passam por provações, por
desgostos duros de suportar, por tentações difíceis de resistir. Não conteis
vossas aflições a vossos semelhantes, também mortais, mas levai tudo a Deus em
oração. Tomai como regra nunca proferir uma palavra de dúvida ou de desânimo.
Está em vós fazer muito para iluminar a existência de outros; para lhes fortalecer
os esforços, mediante palavras de esperança e santa alegria.
Há muita alma valorosa
terrivelmente assaltada por tentações, prestes a desfalecer no conflito com o
próprio eu e os poderes do mal. Não desalenteis essa alma em sua penosa luta.
Animai-a com palavras de valor e esperança, que a incitem a perseverar no
caminho. Assim irradiará, por meio de vós, a luz de Cristo. "Nenhum de nós
vive para Si." Rom. 14:7. Pela influência que inconscientemente exercemos,
outros se podem animar e fortalecer, ou ficar desanimados e alienados de Cristo
e da verdade.
Muitos há que possuem uma errônea
idéia da vida e do caráter de Cristo. Pensam que Ele era destituído de calor e
animação, que era sério, áspero, melancólico. Em muitos casos, toda a experiência
religiosa recebe dessa maneira de ver um sombrio colorido.
Diz-se muitas vezes que Jesus
chorou, mas jamais foi visto a sorrir. Nosso Salvador foi, efetivamente, um
Varão de dores, experimentado nos trabalhos, pois abria o coração a todos os
sofrimentos humanos. Mas, se bem que Sua vida fosse cheia de abnegação e
ensombrada por dores e cuidados, Seu espírito não se abatia. Sua fisionomia não
apresentava a expressão do desgosto ou do descontentamento, mas sempre de
inalterável serenidade. Seu coração era uma fonte de vida; e onde quer que
fosse, levava descanso e paz, contentamento e alegria.
Nosso Salvador era profundamente
sério e intensamente zeloso, mas nunca sombrio ou enfadado. A vida dos que O
imitam revestir-se-á toda de fervorosos propósitos; experimentarão um profundo
sentimento de sua responsabilidade. A leviandade será reprimida; não
apresentará ruidosa alegria, nem gracejos de mau gosto. Entretanto, a religião
de Jesus proporciona abundância de paz. Não extingue o brilho da alegria; não
restringe a felicidade, nem tolda a fisionomia radiante e sorridente. Cristo
não veio para ser servido, mas para servir; e uma vez que Seu amor nos domine o
coração, havemos de seguir-Lhe o exemplo.
Enquanto deixarmos predominar na
lembrança os atos desagradáveis e injustos de outros, parecer-nos-á impossível
amá-los como Cristo nos ama; se, porém, nossos pensamentos se fixam no
extraordinário amor e piedade de Cristo para conosco, esse mesmo espírito
irradiará de nós para os nossos semelhantes. Cumpre-nos amar e respeitar uns
aos outros, não obstante as faltas e imperfeições que não podemos, malgrado
nosso, deixar de notar neles. Necessitamos cultivar a humildade e a
desconfiança de nós mesmos, bem como paciente benevolência para com as faltas
do próximo. Isso destruirá em nós todo o mesquinho egoísmo, tornando-nos
magnânimos e generosos.
Diz o salmista: "Confia no
Senhor e faze o bem; habitarás na Terra e, verdadeiramente, serás
alimentado." Sal. 37:3. "Confia no Senhor." Cada dia tem suas
preocupações, seus cuidados e perplexidades; e ao encontrar-nos, uns com os
outros, como nos sentimos inclinados a falar de nossas dificuldades e
provações! Damos lugar a tantas aflições emprestadas, condescendemos com tantos
temores, damos expressão a um tal fardo de ansiedades, que se poderia supor que
não possuímos um Salvador compassivo e amante, pronto a ouvir todas as nossas
petições, e a ser-nos um auxílio bem presente em todas as nossas necessidades.
Pessoas há que andam sempre em
temor, e buscando aflições. Cercam-nas dia a dia as provas do amor de Deus; desfrutam
diariamente as liberalidades de Sua Providência. Não atentam, entretanto, para
as bênçãos presentes. Sua mente ocupa-se continuamente com alguma coisa
desagradável, cuja ocorrência receiam; ou então é qualquer coisa real que,
embora pequenina, as torna cegas aos muitos motivos que têm para serem
agradecidas. As dificuldades que enfrentam, em vez de as impelir para Deus,
única fonte de auxílio que possuem, separam-nas dEle, pois suscitam desassossego
e queixumes.
Acaso fazemos bem em ser assim
incrédulos? Por que havíamos de ser ingratos e desconfiados? Jesus é nosso
amigo; todo o Céu se acha interessado em nosso bem-estar. Não devemos permitir
que as perplexidades e cuidados diários nos aflijam a mente e nos turbem o
semblante. Se assim fazemos, havemos de ter sempre algum motivo para
amofinações e aborrecimentos. Não devemos dar lugar a uma solicitude que não
serve senão para atribular-nos e consumir-nos, sem nos ajudar a sofrer nossas
provas.
Talvez vos sobrevenham
perplexidades nos negócios, as perspectivas se tornem cada vez mais sombrias,
estejais ameaçados de uma perda. Não vos desanimeis, entretanto; lançai sobre o
Senhor vossos cuidados, e permanece calmo e satisfeito. Suplicai sabedoria para
dirigir vossos negócios prudentemente, evitando assim o prejuízo e o desastre.
Fazei tudo que vos estiver ao alcance a fim de promover resultados favoráveis.
Jesus prometeu Seu auxílio, mas não dispensa os nossos esforços. Quando,
descansando em nosso Ajudador, houverdes feito tudo que está ao vosso alcance,
aceitai alegremente os resultados.
Não é a vontade de Deus que Seu
povo ande vergado ao peso dos cuidados. Todavia, o Salvador não nos engana. Não
nos diz: "Não temais; vossa estrada é livre de perigos." Ele sabe que
há provações e perigos, e é sincero conosco. Não Se propõe tirar Seu povo de um
mundo de males e pecados, mas indica-nos infalível refúgio. Sua oração em favor
dos discípulos, foi: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do
mal." João 17:15. "No mundo", diz Ele, "tereis aflições,
mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo." João 16:33.
No Sermão do Monte, Cristo
ensinou aos discípulos preciosas lições quanto à necessidade de confiar em
Deus. Essas lições visavam a animar Seus filhos através de todos os séculos, e
chegaram até nós plenas de ensinos e conforto. O Salvador apontou a Seus
seguidores as aves do céu, modulando suas canções de louvor, livres de
cuidados, pois "não semeiam, nem segam". E, no entanto, o grande Pai
lhes supre as necessidades. Pergunta o Salvador: "Não tendes vós muito
mais valor do que elas?" Mat. 6:26. O grande Provedor dos homens e animais
abre as mãos e supre a necessidade de todas as Suas criaturas. Não considera as
aves do céu inferiores ao Seu cuidado. Não lhes põe o alimento no bico, mas
toma providências para lhes satisfazer as necessidades. Cumpre-lhes apanhar as
sementes que para elas espalha. Têm de preparar o material para o ninhozinho.
Precisam de alimentar os filhotes. E saem ao seu trabalho cantando, pois
"vosso Pai celestial as alimenta". E "não tendes vós muito mais
valor do que elas?" Não tendes vós como adoradores inteligentes e
espirituais, mais valor do que as aves do céu? Não há de o Autor de nosso ser,
o Conservador de nossa existência, Aquele que nos formou à Sua própria e divina
imagem, não há de Ele prover as nossas necessidades, se tão somente nele
confiarmos?
Cristo apresentou a Seus
discípulos as flores do campo crescendo profusamente, resplandecendo na singela
beleza com que o Pai celeste as dotou, como testemunho de Seu amor aos homens.
Disse Ele: "Olhai para os lírios do campo, como eles crescem." Mat.
6:28. A beleza e simplicidade dessas flores naturais, sobrepujam em muito o
esplendor de Salomão. Os mais suntuosos adornos criados pelos primores da arte,
não se podem comparar com a graça natural e a magnífica beleza das flores
criadas por Deus. Jesus pergunta: "Pois, se Deus assim veste a erva do
campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais
a vós, homens de pequena fé?" Mat. 6:30. Se Deus, o divino Artista, dá às
singelas flores que num dia perecem, suas suaves e variegadas cores, quão maior
não será o cuidado por Ele dedicado aos que foram criados à Sua própria imagem?
Esta lição de Cristo é uma repreensão à ansiedade, às perplexidades e à dúvida
do coração falto de fé.
O Senhor deseja ver felizes todos
os Seus filhos, em paz e obediência. Diz Jesus: "Deixo-vos a paz, a Minha
paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem
se atemorize." João 14:27. "Tenho-vos dito isso para que a Minha alegria permaneça em vós, e
a vossa alegria seja completa." João 15:11.
A felicidade que se busca por
motivos egoístas, fora do caminho do dever, é volúvel, caprichosa e
transitória; dissipa-se, deixando n'alma uma sensação de isolamento e pesar; no
serviço de Deus, porém, há satisfação e alegria. O cristão não tem de andar por
veredas incertas; não é abandonado a vãos desgostos e decepções. Ainda que não
nos sejam dados os prazeres desta vida, podemos, não obstante, sentir-nos
felizes por esperar a vida por vir.
Mas mesmo aqui podem os cristãos
fruir a alegria da comunhão com Cristo; é-lhes dado possuir a luz do Seu amor,
o perpétuo conforto de Sua presença. Cada passo da vida nos pode levar mais
perto de Jesus, pode-nos trazer uma mais profunda experiência de Seu amor,
conduzindo-nos um passo mais próximo do bendito lar de paz. Não rejeitemos,
pois, nossa confiança, mas tenhamos firme certeza, mais firme que nunca.
"Até aqui nos ajudou o Senhor" (I Sam. 7:12), e nos ajudará até o
fim. Olhemos aos sinais, que nos recordam o que o Senhor tem feito para nos
confortar e salvar da mão do destruidor. Conservemos sempre vivas na memória
todas as ternas misericórdias que Deus tem tido para conosco - as lágrimas por
Ele enxugadas, as dores que suavizou, as ansiedades que desvaneceu, os temores
que dissipou, as necessidades que supriu, as bênçãos que concedeu - e
fortalecemo-nos assim para tudo quanto nos aguarda no restante de nossa
peregrinação.
Não podemos senão esperar novas
perplexidades na luta que está para vir, mas podemos fixar a vista no passado,
da mesma maneira que no futuro, e dizer: "Até aqui nos ajudou o
Senhor." I Sam. 7:12. "E a tua força será como os teus dias."
Deut. 33:25. As provações não excederão às forças que nos serão dadas para as
suportar. Empreendamos, pois, nossa tarefa onde quer que a encontremos, crendo
que, seja o que for que sobrevier, ser-nos-á concedida a força proporcional à
provação.
E afinal abrir-se-ão as portas do
Céu para dar entrada aos filhos de Deus, e dos lábios do Rei da glória brotarão
as palavras que lhes soarão aos ouvidos qual música inefável: "Vinde,
benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a
fundação do mundo." Mat. 25:34.
Então os remidos receberão as
boas-vindas às moradas que Jesus lhes está preparando. Então seus companheiros
não serão mais as criaturas vis da Terra - mentirosos, idólatras, impuros e
incrédulos; mas conviverão com os que venceram a Satanás e, por meio da graça
divina, formaram um caráter perfeito. Toda tendência pecaminosa, toda
imperfeição que aqui os aflige, terá sido removida pelo sangue de Cristo, e a
excelência e o resplendor de Sua glória, que sobrepuja em muito ao brilho do
Sol, a eles se comunicam. E deles se irradia a beleza moral e perfeição de Seu
caráter, de valor incomparavelmente superior à glória externa. Acham-se
irrepreensíveis perante o grande trono branco, compartilhando a dignidade e os
privilégios dos anjos.
Em vista da gloriosa herança que
lhe poderá pertencer, "que dará o homem em recompensa da sua alma?"
Mat. 16:26. Ainda que seja pobre, possui todavia em si mesmo uma riqueza e uma
dignidade que o mundo não pode conceder. A alma redimida e purificada do
pecado, com todas as suas nobres faculdades consagradas ao serviço de Deus, é
de inexcedível valor; e há alegria no Céu, na presença de Deus e dos santos
anjos, sobre uma alma resgatada - alegria que se exprime em cânticos de santo
triunfo.
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